Thursday, December 07, 2017

Ministério da Educação: inimigo das mulheres

O Ministério da Educação, sob o atual Ministro, José Mendonça Bezerra Filho (DEM-PE),  age como um inimigo das mulheres.


Por quê?

Porque fez o Ministério da Educação excluir da base curricular o combate à discriminação de gênero.  Pior:  o Ministério incluiu esse tema na parte do famigerado ensino religioso, aberração na qual nenhum país minimamente evoluído gasta dinheiro público.

A nova BNCC - Base Nacional Comum Curricular não mais expressa o compromisso de combater a desigualdade/discriminação de sexo/gênero, DEVER da República Federativa do Brasil decorrente de tratados internacionais (Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, ONU, 1979;  Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, OEA, 1994).

O que o Ministro entende de educação?  Boa pergunta.

Aliás, já que estamos falando no Ministério da Educação, dêem uma olhada na lista de todos os Ministros da Educação que o Brasil teve.

Seria lógico que a maioria desses Ministros viesse do professorado, certo?  Profissionais da educação, pó de giz, ou vocês ramapitecos discordam?

Pois bem!  No Brasil, mais de 70% (SETENTA por cento) dos profissionais da Educação são...  mulheres!

Na   educação básica, são 81,5%.   No  ensino médio , 64,1% dos professores são mulheres.

Não é LÓGICO que a maioria dos Ministros da Educação do Brasil fosse do sexo feminino? 

Só não é lógico na cabeça de bandido, canalha, misógino e cretino.

Agora, vejam a lista dos últimos Ministros de Educação, desde 1982 (segue no final desta postagem).

Só UMA mulher.  Por que escolhi 1982 como marco?

Porque foi o ano no qual a PRIMEIRA mulher foi nomeada para ser Ministra da Educação, a jurista e professora Esther de Figueiredo Ferraz.


Quem nomeou?

O então Presidente João Batista de Oliveira Figueiredo, General do Exército, último Presidente da ditadura militar.  Ah, os militares, esses machistas...  Antes de continuarmos com essa conversa de papagaio, vamos dar uma olhada nos Ministros da Educação POSTERIORES ao último milico Presidente?

NENHUMA mulher.  Sarney não nomeou nenhuma mulher dentre seus 5 Ministros da Educação. Collor, o primeiro eleito após a ditadura, nomeou 3 homens.  Itamar nomeou um homem.  FHC, professor, esposo de uma Professora Doutora, Ruth Cardoso, manteve um homem durante seus 2 mandatos.  Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, partido que sempre se apresentou como aberto ao Feminismo e teve/tem até hoje quadros feministas importantes, nomeou 3 homens.  Dilma Roussef, primeira mulher Presidente do Brasil, nomeou 6, SEIS Ministros da Educação:  todos homens.  Aliás, seu governo foi marcado pela indiferença e despreparo no trato dos direitos das mulheres.

Agora xinguem o Presidente Figueiredo e os militares em geral.

Estou fazendo apologia de ditadura?  Nunca.  Estou fazendo o que devo:  criticar discursos prontos, vazios, que propagam falsas verdades.  E lembrando a TODAS do fato histórico in-ques-tio-ná-vel: apesar de a esmagadora maioria dos professores brasileiros ser mulher, até hoje só tivemos UMA mulher Ministra da Educação, em 1982, nomeada por um MILICO.

A verdade é que nossos "democratas" não são democratas porcaria nenhuma.

Porque a EXCLUSÃO das mulheres da política NÃO É DEMOCRACIA, é DITADURA masculina.

Acordem, estrupícios.

Ah, segue a lista do MEC, desde 1982.


Nova República (6ª República)

33 Esther de Figueiredo Ferraz 24 de agosto de 1982 15 de março de 1985
Nome Órgão Início Fim Presidente
34 Marco Maciel Ministério da Educação 15 de março de 1985 14 de fevereiro de 1986 José Sarney
35 Jorge Bornhausen 14 de fevereiro de 1986 5 de outubro de 1987
Aloísio Guimarães Sotero (interino) 6 de outubro de 1987 30 de outubro de 1987
36 Hugo Napoleão do Rego Neto 3 de novembro de 1987 16 de janeiro de 1989
37 Carlos Corrêa de Menezes Sant'anna 16 de janeiro de 1989 14 de março de 1990
38 Carlos Chiarelli 15 de março de 1990 21 de agosto de 1991 Fernando Collor
39 José Goldemberg 22 de agosto de 1991 4 de agosto de 1992
40 Eraldo Tinoco 4 de agosto de 1992 1 de outubro de 1992
41 Murílio de Avellar Hingel 1 de outubro de 1992 1 de janeiro de 1995 Itamar Franco
42 Paulo Renato Souza 1 de janeiro de 1995 1 de janeiro de 2003 Fernando Henrique Cardoso
43 Cristovam Buarque 1 de janeiro de 2003 27 de janeiro de 2004 Luiz Inácio Lula da Silva
44 Tarso Genro 27 de janeiro de 2004 29 de julho de 2005
45 Fernando Haddad 29 de julho de 2005 1 de janeiro de 2011
1 de janeiro de 2011 23 de janeiro de 2012 Dilma Rousseff
46 Aloizio Mercadante 24 de janeiro de 2012 2 de fevereiro de 2014
47 José Henrique Paim 3 de fevereiro de 2014 1º de janeiro de 2015
48 Cid Gomes 1º de janeiro de 2015 18 de março de 2015
Luiz Cláudio Costa (interino) 18 de março de 2015 6 de abril de 2015
49 Renato Janine Ribeiro 6 de abril de 2015 1 de outubro de 2015
50 Aloizio Mercadante 2 de outubro de 2015 12 de Maio de 2016
51 Mendonça Filho Ministério da Educação e Cultura 12 de maio de 2016 Michel Temer

Saturday, November 11, 2017

Aborto: Brasil entre os mais atrasados

A lei brasileira é uma das mais duras do mundo no assunto aborto.  Das mais atrasadas.
O mapa das leis de aborto no mundo é a prova do que eu digo.
No mapa, vermelhos são os países mais restritivosverdes, os  menos restritivos.
O Brasil está o  grupo vermelho, na companhia de Irã, Iraque, Síria e da maior parte da África Subsaariana.  Confira abrindo o link:
Nos países do G7 o aborto é permitido.
Grã-Bretanha - permitido (1967 Abortion Act);
França - permitido;
EUA - cada um dos 50 Estados tem autonomia para dispor sobre o assunto.  Em regra, permitido.  Não tem havido presidente ou justice da Suprema Corte que derrube o Roe vs. Wade, de 1973, quando a Suprema Corte decidiu que a decisão de abortar diz respeito à privacidade da mulher;
Itália - permitido desde os anos 70, e não há papa que vença as italianas;
Japão - permitido;
Canadá - permitido;
Alemanha- permitido.  A Corte Constitucional alemã decidiu que a Constituição protege o feto, mas que o Parlamento tem o poder de não punir o aborto, se praticado dentro do primeiro trimestre de gestação (Lei do Aborto na Alemanha - texto em inglês).

Voltando ao mapa - link acima - observem que os países verdes, menos restritivos, coincidem com os mais ricos e desenvolvidos do mundo:  EUA e Canadá;  toda a Europa, exceto Irlanda e Polônia;  Austrália.

Dos países membros dos BRICs, Rússia, China e África do Sul são verdes, figurando no grupo dos menos restritivos do mundo;  Índia figura no grupo salmão, um pouco mais restritivo que os verdes, mas ainda assim prevendo várias possibilidades de aborto legal, como má formação fetal;  o mais restritivo dos BRICs é o Brasil, do grupo vermelho.

Conforme consulta às leis disponibilizadas no mapa, são de países BRICs as leis de aborto que mais respeitam a mulher.  A lei da Rússia prevê o limite de 12 semanas  para o aborto voluntário por iniciativa da mulher, que "tem o direito de decidir com independência a questão da maternidade".   A lei russa é objetiva e de fácil compreensão.  A lei da África do Sul também prevê o limite de 12 semanas  para o aborto voluntário por iniciativa da mulher, que pode ser praticado não só por médico(a), mas também por parteira(o) que tenha completado o curso de treinamento prescrito.  A lei sul-africana é mais extensa e detalhada do que a russa, mas, a exemplo da última, afirma que nenhum outro consentimento será exigido, senão o da mulher grávida.

O Mapa da Lei do Aborto no Mundo permite as seguintes conclusões:

a)  Países mais pobres e atrasados têm leis de aborto mais restritivas;
b) países mais ricos e avançados têm leis de aborto menos restritivas;
c)  o Brasil tem uma das leis de aborto mais atrasadas do mundo e é o mais atrasado dos BRICs nessa questão.


Saturday, November 04, 2017

Companhias Aéreas Demitem Mullheres

Sou passageira frequente em voos domésticos e faço uma denúncia:  as companhias aéreas brasileiras estão DEMITINDO as mulheres e colocando homens nos seus lugares. A cada voo que tomo, observo cada vez menos comissárias de bordo.  A maior parte dos voos que tenho pego de um ano para cá pelo menos conta com tripulação cem por cento masculina.  Neste exato instante, estou num avião (voo ainda não começou), voo Gol 1453 BSB-SP- Congonhas.  Não vi nenhuma comissária de bordo.
Cadê a ANAC para tomar uma providência contra isso?  Não serve para nada.  A Secretaria Especial de Mulheres do Ministério da Justiça?  Comandada por uma fulana que não faz nada além de celebrar cultos evangélicos no recinto.
Ou seja, as empresas aéreas estão se tornando 100 por cento masculinas.  Ninguém fala nada, ninguém faz nada.
O machismo está recrudescendo e esse problema- troca de mulheres por homens nos postos de trabalho- venho observando há algum tempo.  A Zara (rede de varejo de vestuário) está fazendo isso, as companhias aéreas, laboratórios, hospitais.  Observem e denunciem.

Sunday, October 29, 2017

Sexism is not normal

Sexism is not normal. It is not acceptable either.
We must have this in mind.
If we are decent, we understand that we must fight sexism always.  We will not submit.
No matter who adopts a sexist attitude towards us, we will react.
We will not feel pity if the perpetrator faces legal consequences (hopefully there are).
We will not be ashamed to hold positions that challenge mainstream ideas about women.
We will not educate our children differently because of their sex.  We will not impose different standards of behaviour or different expectations on them.  We will not train boys to be violent and girls to be docile.
We will not accept that childcare is mothers’ duty more than fathers’.
We understand that maternal leave is no longer sustainable.  We actively demand parental leave to be enjoyed by mother or father or both in alternate periods, provided it does not surpass the legal limit in the given country.
We do not accept married and single women to be treated differently.  No more “miss”, “mademoiselle”, “senhorita”, “Fraulein”.”
Fraulein was banned from use in West Germany in 1972 by the Minister of Interior.
Mademoiselle was also banned from official use in France in 2012.
Countries that have not yet done so are lagging behind.
Women who have not yet understood that “miss”, “senhorita”, “signorina” and alike diminish women are lagging behind.

Wednesday, September 27, 2017

Homens falastrões

Os homens vivem repetindo que as mulheres são faladeiras, fofoqueiras, e não "calam a boca".
Minha experiência prova o contrário.
No meu dia a dia, quem mais enche a paciência por falar demais (e alto) são os homens.
Eles falam demais, falam alto, não tem nenhuma educação e se comportam com mais grosseria quando compartilham o ambiente com mulheres.  Aí, eles se esmeram em ser piores ainda, sobretudo em ambientes nos quais eles gostariam de ter exclusividade.
No meio jurídico, observo, com pesar, como esses comportamentos são frequentes entre os advogados.  Primatas bocas de trapo incapazes de se calar mesmo em sessões de julgamento de tribunais.
Uma ministra presidente de uma turma de tribunal um dia disse, na sessão, ao ver os colegas homens enroscados numa discussão:  "depois dizem que as mulheres é que falam demais".
Se vocês duvidam do que eu digo, uma sugestão de exemplo:  assistam às sessões de julgamento do STF, do TSE:  são os ministros, não as ministras, que protagonizam votos longos e demorados, que se comprazem em falar demais e não raro se envolvem em discussões que descambam para a animosidade.

Wednesday, August 30, 2017

Contas públicas, pior desempenho em 21 anos.
Michel Temer muito pior do que a Dilma, que tinha uma política econômica muito ruim (farra do BNDES, Luciano Coutinho).

Contas públicas têm rombo de 21 bilhões

Vamos nos vestir de preto no 7 de setembro e ir às ruas.  Em paz.  Em silêncio.  Sem confronto com ninguém.  E vamos desligar as luzes e televisores por 15 minutos no 7 de setembro.  Das 20:30 às 20:45.  Brasil no escuro no 7 de setembro.  Na paz.  Sem confronto.  Contra o governo, a reforma da Previdência, a irresponsabilidade fiscal, a corrupção.

Friday, August 25, 2017

O Diabo e a lei da selva


Reportagem da BBC Brasil de hoje (Sinto saudade de ser criança)relata o drama das mães-meninas do Amazonas.

Na matéria, três histórias de meninas:  duas tiveram a primeira gravidez aos 13, e outra, aos 14 anos.

Em TODAS as histórias, as gravidezes resultaram de estupro.  Os bandidos não punidos, estão soltos por aí.  E as três  meninas sofreram novos abusos depois disso, porque o Amazonas é um Estado onde estuprar é bonito e não dá cadeia.

Numa das histórias, a menina é evangélica e, ao invés de apoio para suportar a gravidez indesejada e punir o bandido, foi tratada como pária e impedida de conviver com os demais fiéis pelo pastor.  É razoável supor que esse pastor seja estuprador também.

Todas as meninas já têm mais de dois filhos.  Uma delas, já com dois filhos, implorou por uma laqueadura, mas foi impedida pelas limitações do(a) médico(a) que a atendeu.  Pela lei imbecil que dificulta a esterilização cirúrgica voluntária no Brasil, a Lei 9263/96 (Lei do Planejamento Familiar).

Segundo o Ministério da Saúde, na faixa de 10-14 anos, a taxa de fertilidade não caiu, contrariando a média nacional.

No Amazonas e na Região Norte do país, é muito fácil estuprar e engravidar uma criança.  Muitas vezes o bandido é da família.  A tolerância social com a canalhice masculina é total.  O homem pode tudo:  matar, estuprar, e mulher vale menos do que um peixe.  Esse é o Norte do Brasil.  A verdade tem que ser dita assim.

Quando uma mulher comete um erro, mínimo que seja, é maximizado, tratado como se fosse um crime hediondo.  Todos se lembram do caso ocorrido no Pará, em 2007, de uma menina de 15 anos foi presa por furto e  jogada na cadeia, numa cela só de homens (A menina paraense que virou notícia).  Um furto, crime sem violência ou ameaça, foi o suficiente para a reação da polícia e da "justiça" do Pará serem desproporcionais: jogar uma menor de idade numa cela só de homens!

Ela foi estuprada e espancada várias vezes.  A delegada e a juíza que cometeram esse ato de exceção estão por aí, IMPUNES.

Não é o "diabo" cristão que entra no corpo das meninas, torna-as "devassas" e "sedutoras" dos pobres coitados dos homens.  É o contrário, mas com um detalhe:  o Diabo sabe o que faz.  Ele sabe, sim, que é errado e contra a lei.  Mas ele sabe que dá para fazer o diabo numa terra sem lei.

O Diabo tem vários nomes e várias identidades.  Um enfermeiro que acaricia a coxa da menina grávida que foi fazer um exame.  O pastor que segrega a menina grávida.  O irmão que estupra a irmã.  O Diabo é todo homem que viola, certo de que não vai pagar pelo que fez. 

Amazonas e Pará, Estados da selva amazônica.  O diabo é a encarnação da lei da selva:  sem justiça.  Sobrevive o melhor caçador, ou aquele que de tão grande não pode ser caçado.  Lei do  mais forte.  É assim que tem sido na Região Norte do Brasil:  a lei da selva prevalece sobre a lei do Estado.  Não tem punição para o "mais forte" física, econômica ou socialmente.  O diabo está na lei da selva.  O diabo é do Amazonas.  E do Pará também.  E de onde mais estuprar seja mais forte do que a lei.