Saturday, June 09, 2012

Abaixo o Dia dos Namorados

Abaixo o Dia dos Namorados!
Tremenda chateação!
Essa é mais uma data idiota para cultuar os casais e marginalizar os solteiros.
Já falei, numa postagem chamada  A Mística da Família, desse absurdo que é a sociedade enaltecer e conceder privilégios às famílias e aos casais, em detrimento de all the lonely people.
Nas solenidades da vida, há sempre uma fileira de assentos reservados às esposas (e, agora, esposos) e congêneres de autoridades, personalidades, homenageados, etc.;  no setor de turismo, no Brasil, as diárias são anunciadas em valores por casal.  Restaurantes, locais públicos, sempre tratam melhor o casal, a família, ainda que façam barulho e não primem pelas boas maneiras.
Quanta caretice!
Se a pessoa solitária for uma mulher, então, nem se  diga!
Uma pessoa não vale mais do que a outra só porque tem um par.  Quantos não se casam, comprometem-se, namoram, apenas para satisfazer uma expectativa social?  Organizações mais conservadoras chegam a pressionar as pessoas, sobretudo, homens.  Juiz sem esposa, companheira ou rameira?  Ah, só é capaz daquele amor que não ousa dizer seu nome...  executivo?  Não dá para ser levado a sério, se não se compromete com uma esposa, vai se comprometer com uma empresa?  Político?  Depende do cargo e da região. 
Mulher solteira ou sem namorado?  Ah, ou é víbora, ou feia, ou...  Hoje em dia, não é mais como era antigamente:  era normal termos uma melhor amiga, daquelas que dormem na nossa casa, e vice-versa, e conheciamos as mães, os pais, os irmãos (e às vezes dava namoro com os irmãos...  ou beijocas atrás das cortinas...).  Duas mulheres sempre juntas, começam a dizer, aí tem!  Mas que saco, não?
O pior  Dia dos Namorados é quando se está a fim de alguém e esse alguém é comprometido(a).  Mas se ela(e) for feia(o), azar o dele(a);  se estiver gorda(o), a relação não anda lá essas coisas.  Já quando não se tem ninguém muito especial em mente, tira-se partido da situação:  nada de saídas a dois num trânsito infernal, nada de restaurante lotado, nada de ele chegar na sua casa com cara de touro indomável.  Você pode tomar um banho de imersão, ir a um spa urbano, ler um livro que você não leria no metrô, assistir um filme só para maiores.  O melhor Dia dos Namorados é quando ele manda umas flores inesperadas e um cartão lindo, e, mais tarde, fica pendurado no telefone com você.  (Ah, esqueci, hoje tem o Facebook e o Skype). E melhor ainda se ele ainda não for o seu namorado, mas o moço que você conheceu num despretensioso almoço de Domingo e roubou-lhe um beijo ao se despedir...  ou aquele homem que compartilha com você a paixão por um certo poeta...
E,  já que você está só numa noite fria, toma umas taças de vinho e adormece com o notebook ligado...  Bizum, bizum, são 4 da manhã e você acorda com um chamado no Skype...  É ele, lá do outro lado do mundo, de Goa,ou Nova Délhi, ou Luanda, Tóquio, Maputo, Rangum, Hong Kong ou do Nepal...  Ou então você sente uma presença quente e peluda movendo-se dentro das suas cobertas...  É ele, que pulou na cama aninhar-se com sua dona...  Ele que você buscou anteontem, siamês, persa ou srd...  Seu miau...