Sunday, July 25, 2010

O que foi que eu disse?

Livro que recomendo: Le Conflit - la femme et la mère, de Elisabeth Badinter.
Na obra, a escritora denuncia: o discurso ecologista, da maternidade "conforme a natureza" oprime, sim, as mulheres e está provocando, insidiosamente, uma regressão nas conquistas femininas.
O que foi que eu disse em postagens anteriores?
Não me canso de denunciar a ditadura da amamentação no peito: o que se iniciou como a afirmação de um direito da mulher (amamentar no peito, ao invés de gastar dinheiro com leite industrializado) foi rapidamente apropriado por profissionais da saúde e políticos machistas, que teimam em afirmar que a mulher tem o "dever" (!) de amamentar no peito. NÃO TEM. Quem afirma que tem ou é um sofista de má-fé ou um(a) alienado(a).
Badinter também denuncia a exortação dos ecologistas à volta das fraldas de pano nas crianças. Para quem sobra o trabalho sujo de lavá-las?
O que eu ainda não sabia, e Badinter denuncia, é que em alguns países a anestesia no parto (natural, claro!) tem sido desencorajada, até mesmo recusada! "Parirás entre dores, oh maldita!"
E Badinter denuncia tudo o que venho denunciando: o discurso que exige dedicação suprema da mulher aos filhos, que não devem ser deixados em creches; a ditadura do parto natural; a condenação dos alimentos industrializados para as crianças, entre outras violências machistas.
Pior: alguns ecolixos condenam o uso de absorventes descartáveis. Se os homens menstruassem, ninguém defenderia essa bandeira-bandalheira.
Um machinho vil criticou a Elisabeth Badinter nos seguintes termos, "ah, o mundo está caindo e essa mulher se preocupa com isso?"
Pois um mundo que oprime as mulheres tem mesmo é que cair. Nada justifica que às mulheres sejam impostos maiores sofrimentos, encargos e deveres. NADA!
As mulheres têm direito absoluto de serem tão livres quanto os homens. Não me venham dizer que não há direitos absolutos; há, sim. O espírito humano e seu sonho de liberdade não têm sexo nem cor.
O atual governo já aderiu à política de incentivo ao "parto natural". Já sei o que irá ocorrer: muitas cesarianas necessárias serão evitadas, com muitas mortes maternas e de crianças.
Quantas crianças não ficaram inválidas por traumas ocorridos em partos tardios, por recusa dos médicos em fazerem cesarianas? "Viver a Vida", telenovela que acabou não faz muito tempo, apresentava, ao final de cada capítulo, depoimentos de arrepiar. Muitos desses depoimentos, histórias de pessoas que são deficientes desde o nascimento, por trauma de parto. Isso, muito antes dessa nova política de saúde, que se revelará uma fábrica de mortes e de doenças.
A ciência existe para trazer bem-estar ao ser humano. Recusar suas conquistas é atitude obscurantista de quem insiste no passado. Na ignorância. Os arautos das fraldas de pano, absorventes reutilizáveis (que a mulher tem que lavar, claro!), do parto com dor são protagonistas de um dos piores espetáculos da Terra.